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... escura ilusão ...

sabia ver as estrelas através do reflexo da água acumulada no fundo de velhos baldes de metal. sabia apreciar a essência das flores através de grãos de pólens que flutuavam soltos durante a longa primavera. sabia que o calor alternava, e que o frio um dia, passava. alheio a tudo, sabia muito. menos que olhos escuros, perdidos sobre um triste sorriso, podiam explodir um coração em oito grandes pedaços.

... aritmética ...

diria ser impossível, que do amor somado de nós dois, algo se subtraia. porém, menos raro, é que, independentemente de vontades, ele sozinho se divida, no tempo, no espaço, na sua memória... (b. - 02/03/15)

... poucas verdades ...

me diga que não sonha. seja forte, não resista. por mais que diga, por mais que pense, por mais que sinta. me diga que não sofre; seja honesta, não minta.

... herança ...

esfrego as minhas mãos e sinto nitidamente o aperto do meu pai, o conforto do meu irmão... os mesmos nós, as mesmas curvaturas. toco minhas orelhas, pequenas, e imagino os cabelos compridos da minha mãe, da minha irmã, acomodados gentilmente sobre elas; tamanha semelhança. encaro meus olhos, no espelho, e são os seus que eu esperava ver, refletidos. mas, não. não, mais. (b. - 02/02/15)

Humana

Como posso deixar de escrever? É isso que me mantém humana. Sentindo. Inteira. Real. (5 de novembro de 2014)

Apaixonar

E tudo o que eu mais queria Era sentir o gosto denso do beijo ansiado E tudo aquilo que eu mais queria Era sentir o calor do corpo desejado E tudo o que eu mais queria Era perder a roupa para o prazer E enlouquecer Sem saber onde em porquê Tudo o que mais queria Era me apaixonar. (Paulinha – 22 de outubro de 2014)

Cenário

Quase incompreensível O mundo repartido em dois. Visões míopes e parciais De uma realidade única. Tornamo-nos isso? Resultado da pressão econômica e social, Do mundo da urgência, do resultado? Não gosto do que vejo. Não me sinto parte. Não quero pertencer. (6 de novembro de 2014)