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Cenário

Quase incompreensível O mundo repartido em dois. Visões míopes e parciais De uma realidade única. Tornamo-nos isso? Resultado da pressão econômica e social, Do mundo da urgência, do resultado? Não gosto do que vejo. Não me sinto parte. Não quero pertencer. (6 de novembro de 2014)

Débito

Eis como me sinto: Não sou suficientemente mãe. Não sou suficientemente esposa. Não sou suficientemente amiga. Não sou suficiente para mim. Não existo para o que existe. Não encontro o que procuro. E não sei o que fazer. (Paulinha – 27 de dezembro de 2013)

... ecos ...

do alto do morro avisto os pequenos prédios, cinzas, contaminando o triste horizonte. com a respiração fraca da longa subida me esforço para gritar, com  toda força, o seu nome. alguns pássaros, espantados, voam desorientados, perseguidos pelo eco da minha voz. grito novamente, e sinto todo o ar sumir de dentro de mim. o sol se põe. o céu se escurece. com tontura e a vista embaçada, posso jurar que uma pequena janela se acende, solitária, no mar negro de concreto abaixo. (b. - 06/11/2014)

A Razão

Não tem razão quando me cobra. A escolha foi sua. Estive disponível Quando você não estava. E você não escolheu por mim. Tenho razão quando me afasto. Você teve sua chance E deixou passar. Não tem razão quando acusa minha ausência. Eu segui minha vida. Quis seguir ao seu lado, Você não me deu essa chance. Não importa mais a razão A oportunidade se foi E hoje Nossos caminhos não se cruzam. (Paulinha – 23 de outubro de 2014)

Mentira

O véu negro Que encobre a verdade Não é fiel a si próprio Pelo simples fato de ser Mentira. (Paulinha - 21 de outubro de 2014)

Doce ser

A balada do seu sorriso Soa doce em meus ouvidos E alegra meu despertar. A certeza dos seus olhos Toca meu coração E guia meu caminhar. A fragrância do seu toque Desperta sabor em meus lábios E suaviza meu laborar. (Paulinha – 20 de outubro de 2014)

Sei pouco

Não sei muito o quê sou. Sei que a música me toca Assim como o olhar sincero. Não sei muito como sou. Sei que as rugas já chegaram E que o tempo passa por mim. Não sei muito o quê tenho Sei que escrevo para alguém As palavras que ficarão para o mundo Não sei muito como me veem Sei que sou miúda E que tenho voz firme. Não sei muito como me entendem. Sei que nem sempre sou simples E que tenho acolhida em mim. Não sei o motivo de estar aqui. Sei que preciso estar E escrever. (Paulinha - 18 de outubro de 2014)