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Melodia

Escorreguei levemente as mãos pelas teclas do piano. Sem som, Apenas sensação. A música ainda estava por vir. Experimentei um som. Percorri mais uma vez todas as teclas E mais um som. Fechei os olhos antes de recomeçar E deixei a música percorrer meu corpo Até as pontas dos dedos. E sair. Harmônica. Inteira. Vinda da alma. (Paulinha – 26 de agosto de 2011)

Pensamento

E as palavras saiam de minhas mãos como se fossem involuntárias. E eram. Não pensei, não refleti, simplesmente deixei fluir o sentimento. Era uma maneira de controlar, de não largar tudo e sair correndo de minha vida. (Paulinha - 25 de agosto de 2011)

O Corvo

Canto suave de ave negra Leva com seu voo tranquilo O corpo mortalmente ferido De um homem abandonado. Olhos perdidos no tempo Sustentam um coração em cacos E as mãos suaves do homem Afagam o pouco que lhe resta de vida. Apoiada ao anjo silencioso do cemitério A ave negra descansa e observa O último suspiro do homem triste Sufocado pelo amor que não lhe correspondeu. Quando o silêncio se estabelece A ave negra abre suas asas solitárias E iluminada pelo sol pálido da manhã Parte em busca de mais um coração perdido. (Paulinha – 25 de agosto de 2011)

... bastam ...

achei que você estivesse no rol dos bons entendedores... "eu te amo" são meias palavras! (b. - 03/08/11)

... filosofia venezuelana ...

na filosofia espontânea de uma querida amiga, "tudo está ótimo, caminhando perfeitamente bem em direção à iminente desgraça..." ... uau! (b. - 03/08/11)

... sinto um poeta ...

o poeta às vezes se confunde, pois não faz aquilo que sente, mas sente aquilo que deixa de fazer... (b. - 03/08/11)

... sem espaço para depressão ...

em um sábado a tarde, anos atrás, sou distraído por leves batidas na porta da frente de meu apartamento. levanto-me, desconfiado, e enquanto caminho pergunto "quem bate?". olho para o sofá de onde eu havia saído e confirmo que continuam lá meus dois fiéis companheiros: a dor e a solidão. sendo assim, com estranheza penso "quem mais poderia ser?". "quem bate?", arrisco novamente... de que uma voz, rouca, ao fundo soa "sou eu, a velha depressão"... óbviamente nao abri, não porque não quizesse, mas porque não havia mais espaço para acomodá-la no sofá." (b. - 03/08/2011)