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Ácido

Quem você pensa que é? Que verdade é essa que esfrega no peito? Você simplesmente não pode decidir por mim. Ninguém tem esse poder. Assuma suas próprias fraquezas E esvazia de mim a responsabilidade por suas escolhas. Anda, admita: Você não sabe o que quer! Como pode saber o que é melhor? Melhor para você (no máximo) Para mim, nunca! Sou a única conhecedora de meu próprio bem. Vamos lá. Levante esse corpo que parece forte E sai uma vez do seu ilusório conforto. Reconheça sua dificuldade. Você não consegue ficar sozinho. Com você. Se não é capaz. Eu sinto muito. Mas não jogue em minhas mãos. A razão de sua própria covardia. (Paulinha – 04 de março de 2011)

... uvas verdes ...

o sapato novo me aperta o pé; esmaga meus dedos. por que merda fui jogar o velho fora? ele  nem era tão ruim, e os furos, assim, nem tão grandes. (b. - 01/03/2011)

... origem ...

no dia em que você, para mim, surgiu, assim como mágica o céu se abriu... e do buraco entre as nuvens despencou, nervosa, uma chuva ácida, de granizos, sapos... alimentada por devastadores raios elétricos. (b. - 01/03/2011)

Escrever

Se você pensa que é fácil Está enganado. Para escrever É preciso doer. Cravar as unhas na carne nua E buscar nas entranhas da alma A triste loucura. Se você pensa que é fácil Está enganado. Para escrever É preciso encarar o próprio conflito. Abrir espaço para a contradição E ter a certeza de que não se chegará A resposta alguma. Se você pensa que é fácil Está enganado Para escrever É preciso se despir. Permitir a invasão dos julgadores Sabendo que jamais se será Compreendido. Para escrever É preciso escolher. Pois essa escolha Representa um caminho sem volta. (Paulinha – 28 de fevereiro de 2011)

... no fundo ...

Imagem
aqui no fundo o som chega baixo e distorcido. a água, turva, dificulta minha visão,   mas sei que está aí em cima.   tento gritar!   o gosto de ferro me deixa nauseado.   a falta de oxigênio paralisa todos os músculos do meu corpo.   tento gritar?   o medo me impede de lutar. o frio envolve meu medo. sei que está aí em cima. ... por que não estende a mão e me tira daqui? (b. - 11/02/2011)

... caffè della nonna ...

boas lembranças do gosto do café no leite, aos domingos, na casa da nonna... frequentemente uma onda de nostalgia me envolve em bares quaisquer, acompanhada de fatias quentes de pão na chapa. (b. - 01/02/2011)

... sem validade ...

duas voltas no sentido anti-horário bastam; e me abro. recomenda-se manter em local frio e úmido.. especialmente, fora do alcance de qualquer um. (b. - 01/02/2011)