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... drops ...

faça-se a luz! pensei, no fundo do seu coração. (b. - 12/11/2010)

... correnteza ...

caixas alternam o tamanho de meu sofrimento. exausto, canso de arquivar minha vida inteira, presente, fluída.. ... enquanto o passado permanece na parede, pendurado em tons pastéis. o prego é de aço, duradouro, porém o tijolo antigo, já se desfaz nas águas da história. (b. - 12/11/2010)

... outro dia ...

meus dedos gelados fecham os seus olhos. lábios molhados lubrificam os seus desejos. quero ficar, mas não posso. preciso partir, mas não consigo. entrego-me ao seu abraço e aguardo, preocupado, o amanhecer. (b. - 12/11/2010)

Não sei quem sou

Não foi abandono Simplesmente sucumbi. Cedi espaço para o cotidiano E sequei de minhas veias Toda e qualquer sensação. Não foi cruel Mas extremamente radical. Dei as costas para arte E segui para um extremo Que não era para mim Nunca foi para mim. Simplesmente esqueci-me de mim! Sufoquei a canção. Enterrei o drama. Matei a poesia, Pra quê? Eu não sei. Não foi intencional Mas foi em vão. Perdi muito mais do que ganhei. E hoje não sei quem sou. (Paulinha – 02 de novembro de 2010)

Negação

Não tenho conseguido escrever. Não tenho motivo. Não tenho vontade. Não tenho sentimento em mim. Estou vazia. Oca. Não tenho conseguido criar. Até mesmo a arte me abandonou. Estou cinza. Sozinha. E sem fé. Não tenho o que falar. Nada para dividir E nem o que explicar. (Paulinha – 25 de outubro de 2010).

... na estrada ...

o cheiro do combustível me mantém ligado. levanto o visor para sentir a força do vento em meu rosto assim que engato a terceira. cento e dez por hora... os animais de beira de estrada escondem-se assustados frente ao ronco feroz do motor. cento e vinte... outro motoqueiro passa no sentido oposto. ele sinaliza; provavelmente, algum policial a frente! lembro de chegar a sorrir. o sol nem começou a fugir por detrás das montanhas. abaixo o visor, puxo a quarta marcha e simplesmente acelero. (b. - 20/10/2010)

... namorada ...

sábado cedo quando acordo não demoro a me aprontar, tomo banho e me visto mesmo antes de o sol raiar. na cozinha passo o café, e manteiga em um torrada não quero perder mais tempo longe de ti, minha amada. atravesso toda a cidade assoviando uma antiga canção. furto flores de um jardim alheio para alegrar teu coração. ah, que dia mais lindo... perfeito para uma cavalgada levar-te-ei ao parque, ao circo ou à lua, minha eterna namorada. penso em seu sorriso, de sua alegria ao me ver e seus olhos escuros brilhantes, como um abismo a me envolver. ah, que dia mais lindo... em que tudo parece novidade. conto cada segundo que falta para matar minha saudade. (b. - 20/10/2010)