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... na estrada ...

o cheiro do combustível me mantém ligado. levanto o visor para sentir a força do vento em meu rosto assim que engato a terceira. cento e dez por hora... os animais de beira de estrada escondem-se assustados frente ao ronco feroz do motor. cento e vinte... outro motoqueiro passa no sentido oposto. ele sinaliza; provavelmente, algum policial a frente! lembro de chegar a sorrir. o sol nem começou a fugir por detrás das montanhas. abaixo o visor, puxo a quarta marcha e simplesmente acelero. (b. - 20/10/2010)

... namorada ...

sábado cedo quando acordo não demoro a me aprontar, tomo banho e me visto mesmo antes de o sol raiar. na cozinha passo o café, e manteiga em um torrada não quero perder mais tempo longe de ti, minha amada. atravesso toda a cidade assoviando uma antiga canção. furto flores de um jardim alheio para alegrar teu coração. ah, que dia mais lindo... perfeito para uma cavalgada levar-te-ei ao parque, ao circo ou à lua, minha eterna namorada. penso em seu sorriso, de sua alegria ao me ver e seus olhos escuros brilhantes, como um abismo a me envolver. ah, que dia mais lindo... em que tudo parece novidade. conto cada segundo que falta para matar minha saudade. (b. - 20/10/2010)

Morri em Setembro

Não havia mais porque lamentar Aquilo tudo já era o fim. Numa bandeja de flores mortas Você estendeu suas mãos até mim Entregando-me minha própria desventura E eu não me neguei. Tomei nos braços toda minha sorte e Parti rumo ao túmulo que recebeu meu coração. Antes de morrer Pedi um abraço. Doeu mais do que partir sem ele Seu colo não tinha mais alma Morri em setembro. Por suas mãos Porque me fez acreditar Que o amor existia Morri em setembro. Por sua voz Porque declarou um amor Que jamais existiu Morri em setembro Escutando “eu te amo” Ontem e Adeus Hoje (Paulinha - setembro de 2010)

Quero do Mundo

Quero do mundo O movimento do tempo A vitória da alma O aprendizado da história A força da conquista O espaço do renascimento A certeza da resposta O esforço da alma A sensação do encontro O sabor do amor. (Paulinha - 27 de setembro de 2010)

Injustiça

Injustiça Negar os bons Ainda que possamos contá-los com os dedos da mão Injustiça Afirmar apenas o difícil Se a felicidade está ao alcance de todos Injustiça Lamentar a desgraça Quando nada se faz para mudar Injustiça Não crer no bem Ainda que o mal tantas vezes prevaleça Injustiça Esconder o amor No mundo tão carente desse sentimento Injustiça Não defendê-lo com toda a força da alma Porque é ele, No fim de tudo, O único capaz de nos salvar. (Paulinha – setembro de 2010)

... folha em branco ...

foi um pequeno poema rascunhado, ao seu lado, em um caderno velho que a água apagou... culpa de um pintor desastrado. encarei, simplesmente, como uma crítica artística e recomecei meu trabalho na mesma folha, agora, em branco. (b. - 26/08/2010)

Saudades

Saudade do sorriso franco de seus olhos Saudade da música de sua fala Saudade do cheiro fresco de sua pele Saudade de sua voz sutil em meus ouvidos Saudade do toque leve de sua boca Saudade de seus cabelos soltos Saudade de nossas mãos frouxamente entrelaçadas Saudade das tardes quentes E das noites frias De um tempo Que talvez só tenha existido No meu desejo De um dia Ter você. (Paulinha – 13 de agosto de 2010)