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O que faço?

O que faço com todo esse amor? Entrego para outro? Mas ele nasceu para caber no seu abraço. O que faço com todo esse desejo? Deixo queimar meu corpo? Mas ele nasceu para dar frutos. O que faço com a dor da sua ausência? Permito que leve minha alma? Mas ela não merece punição por amar. O que faço eu com a saudade Que sufoca meu coração E me tira a vontade de viver? ( Paulinha – 26 de julho de 2010 )

... escorregada ...

curioso como nunca refleti sobre o motivo pelo qual, ao sair do escritório, escorrego no piso de pedra molhado. talvez seja o solado do sapato... ou, no fundo pura distração. mas o fato é que isso ocorre todas as vezes, e eu nunca fiz algo para mudar. (b. - 19/07/2010)

Eu te amo

Eu te amo Desde o dia que acordei para o amor Eu te amo Desde o instante que me encontrou Eu te amo Desde o momento que descobri você Eu te amo Desde início de tudo Da criação E do fim. Eu te amo Para sempre. (Paulinha - 05 de julho de 2010)

... dona carminha ...

dona carminha, senhora de finos tratos, bastante preocupada com o futuro de sua filha assim como sua mãe, e sua avó antes dela comentava, apontando... minha querida, tome muito cuidado com rapazes, como esse, rebeldes e abrutalhados que arrastam em motos grandes e barulhentas seus corpos pintados. em breve, quando a hora chegar, um ótimo pretendente você irá encontrar. elegante e educado, talvez até advogado, como o rapaz bem vestido do terceiro andar. a filha, nova de tudo embora não tão menina conhecia bem a mãe que tinha e não ousava contrariar. mas a vontade era grande em dizer, meio que com desdém que o jovem advogado, de terno e olhar serenos, tão querido e venerado, era aquele sobre a motocicleta de rosto escondido pelo capacete escuro e corpo inteiramente tatuado. (b. - 05/07/2010)

... queda livre ...

no momento em que percebemos, já era tarde demais. a estrada chegara ao fim, enquanto o carro atingia grande velocidade em direção ao penhasco. apenas roy orbison, no rádio, ousava quebrar o silêncio.. sem tirar os olhos do horizonte, procurei sua mão pela última vez. “alone and crying, crying, crying” a queda pareceu durar uma eternidade. fechei meus olhos, e tentei sorrir... até onde me recordo antes do impacto tudo que senti foi uma leve ereção. (b. - 02/07/2010)

... apontador ...

retiro diariamente do bolso, amassados, pequenos pedaços de papel e anoto com a ajuda de um lápis gasto minhas impressões sobre a vida e o universo. constantemente, rasuro as linhas anteriores e sobrescrevo novas idéias. a vida continua confusa o lápis, porém cada dia menor. (b. - 11/06/2010)

Descubro você

Por que se esconde? Teme o que? Sei que tem passado. Também tenho o meu. Concordo. Escancaro-me. Apenas aqui. Não falo tudo. Também sinto medo. Não precisa abandonar sua máscara. Não tirei a minha. Não precisamos. A fantasia não esconde os olhos. Posso reconhecer você através deles. Não cruze os olhos comigo. Também encanto serpentes. Posso seqüestrar as imagens da sua vida. Colo sua retina na minha. E descubro você. Não precisa abandonar a máscara. Se tiver medo Basta não me olhar nos olhos. Só assim pouparei você. (Paulinha - 11 de junho de 2010)