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... escorregada ...

curioso como nunca refleti sobre o motivo pelo qual, ao sair do escritório, escorrego no piso de pedra molhado. talvez seja o solado do sapato... ou, no fundo pura distração. mas o fato é que isso ocorre todas as vezes, e eu nunca fiz algo para mudar. (b. - 19/07/2010)

Eu te amo

Eu te amo Desde o dia que acordei para o amor Eu te amo Desde o instante que me encontrou Eu te amo Desde o momento que descobri você Eu te amo Desde início de tudo Da criação E do fim. Eu te amo Para sempre. (Paulinha - 05 de julho de 2010)

... dona carminha ...

dona carminha, senhora de finos tratos, bastante preocupada com o futuro de sua filha assim como sua mãe, e sua avó antes dela comentava, apontando... minha querida, tome muito cuidado com rapazes, como esse, rebeldes e abrutalhados que arrastam em motos grandes e barulhentas seus corpos pintados. em breve, quando a hora chegar, um ótimo pretendente você irá encontrar. elegante e educado, talvez até advogado, como o rapaz bem vestido do terceiro andar. a filha, nova de tudo embora não tão menina conhecia bem a mãe que tinha e não ousava contrariar. mas a vontade era grande em dizer, meio que com desdém que o jovem advogado, de terno e olhar serenos, tão querido e venerado, era aquele sobre a motocicleta de rosto escondido pelo capacete escuro e corpo inteiramente tatuado. (b. - 05/07/2010)

... queda livre ...

no momento em que percebemos, já era tarde demais. a estrada chegara ao fim, enquanto o carro atingia grande velocidade em direção ao penhasco. apenas roy orbison, no rádio, ousava quebrar o silêncio.. sem tirar os olhos do horizonte, procurei sua mão pela última vez. “alone and crying, crying, crying” a queda pareceu durar uma eternidade. fechei meus olhos, e tentei sorrir... até onde me recordo antes do impacto tudo que senti foi uma leve ereção. (b. - 02/07/2010)

... apontador ...

retiro diariamente do bolso, amassados, pequenos pedaços de papel e anoto com a ajuda de um lápis gasto minhas impressões sobre a vida e o universo. constantemente, rasuro as linhas anteriores e sobrescrevo novas idéias. a vida continua confusa o lápis, porém cada dia menor. (b. - 11/06/2010)

Descubro você

Por que se esconde? Teme o que? Sei que tem passado. Também tenho o meu. Concordo. Escancaro-me. Apenas aqui. Não falo tudo. Também sinto medo. Não precisa abandonar sua máscara. Não tirei a minha. Não precisamos. A fantasia não esconde os olhos. Posso reconhecer você através deles. Não cruze os olhos comigo. Também encanto serpentes. Posso seqüestrar as imagens da sua vida. Colo sua retina na minha. E descubro você. Não precisa abandonar a máscara. Se tiver medo Basta não me olhar nos olhos. Só assim pouparei você. (Paulinha - 11 de junho de 2010)

Cemitério da Memória

Abandonei aquele corpo sem vida na grama molhada do início da manhã. Levantei o rosto para compreender a paisagem. Nenhuma folha se movia. Não havia vento. Não havia som. O céu cinza impenetrável sufocava o ar de meus pulmões. Caminhei cada passo sentindo o peso completo da partida. Mas não chorei, Porque a dor levou também minhas lágrimas. Segui os corredores desertos de vida Acompanhada apenas do olhar de cada foto. De alguns eu já não lembrava nem a voz Esbocei um pequeno sorriso pela ironia dessa constatação. Começamos a vida “inteiros” E com o passar dos anos Tornamo-nos retalhos. Cada fim leva de mim uma parte do coração E uma história de intensidade Não poderia ter outro retrato: Cicatrizes. Antes de cruzar a saída Virei o corpo para conferir o que deixei para trás Passei pelo portão E senti o retorno do vento. Deixei o cemitério da memória Selando seu enterro Com o cadeado da coragem. Ergui o rosto com firmeza Abrindo passagem para novo E fui Rumo ao renascimento. (Paulinha – 2...