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... aniversário ...

o corpo quente, molhado, encharcando o chão. sobre o espelho, embaçado, esfrego a mão. meus olhos se encontram... audaciosa, sorrio. mais um fio de cabelo branco... amanhã, serão mil. amanhã, oras... amanhã não é hoje. hoje, ainda sou nova. e que continue assim. (b. - 30/04/2010)

Aniversário

Amadurecer. Eis o termo correto. Envelhecer é para aqueles que não se orgulham do que viveram. Amadurecer é para quem sabe que a idade pode trazer o equilíbrio. Envelhece quem perde a vontade de aprender. Eu continuo querendo saber cada vez mais. Amadurece quem aproveita cada detalhe da vida E usa essa informação para melhorar. Envelhece quem não vive e tem medo de morrer. Quem deixa a oportunidade passar sem aproveitá-la. Amadurece quem se orgulha das escolhas E não atribui a ninguém a opção errada. Envelhece quem pára de buscar a própria felicidade. E se esquece que viver pode ser uma tortura. Amadurece quem conhece o segredo da idade: Só a vivência proporciona a saborosa segurança de se saber quem é. Envelhece quem se esquece de amar. Porque é no amor que está o segredo da vida. Eu tento. Não sei se consigo plenamente. Mas trabalho arduamente para amadurecer Tentando fazer disso um processo saudável, gentil e feliz. (Paulinha - 30/04/2010)

A lua do beijo

A lua invadia aquela casa mágica. E eu mal tinha fôlego pra respirar. O corpo dele cintilava a luz prata. A água corrente do rio preenchia o silêncio com o som nobre da natureza. O diálogo era perfeito. Cada palavra dele era captada por todos os meus sentidos E minha alma seguia alimentada. O sorriso não saia do meu rosto. Soava como se não fosse real. Um tempo perdido dentro universo. Os segundos caminhavam num compasso mais lento E eu queria que fosse lento. Eu queria aproveitar cada segundo daquele momento Pois sabia que seria único. Os nossos cabelos voavam junto com o vento da noite E com o vento o cheiro dele Minha respiração ficava cada vez mais acelerada. Nossos olhos percorriam nossos rostos Olhos nos olhos (sem medo) Olhos nos lábios. Os lábios dele sorriam para minhas frases bobas. Meus lábios umedeciam O rosto dele se inclinava pro lado quando olhava pra mim. E minhas pernas quase não se sustentavam. Uma mecha do meu cabelo foi recolocada atrá...

Medo

Perturbador E sem rosto Com nome simples E voz repleta de silêncio. Disforme E sem cor Com força incrível E insistência dolorosa. Medo: Companheiro Ingrato De uma alma Inquieta. (Paulinha - 09 de abril de 2010)

... terapia ...

- querido? - oi. - você nem experimentou o chuchu. - é que não sou muito fã... - ... das coisas que eu cozinho, não é? - como assim? não sou fã de chuchu apenas. - você não gosta é da minha comida. - nunca falei isso. - acha que sou uma péssima cozinheira. - ... - acha que, se não cozinho bem, não serei uma boa dona de casa. - como? - não serei uma boa mãe ... - querida ... - ou seja, você não quer ter filhos comigo. - amor, o que é isso? - amor? amor? se não quer ter filhos comigo, é porque não quer ficar comigo. é porque.. - olha.. - ... é porque você não me ama. - ... - é isso. você não me ama. (b. - 09/04/2010)

Grades da Alma

Frio. Foi minha primeira sensação antes de abrir os olhos. Uma luz bem fraquinha atravessava as grades da janela. As pedras do chão escuro estavam úmidas. Meus olhos anteriormente fixos na primeira paisagem do meu despertar, Passearam por minha cela. Ferida. Doente. E só. Sem conseguir mover o corpo Continuei pela paisagem do mundo que me cercava. Não lamentei as marcas. Sempre lutei pelo que ambicionei. Ninguém me empurrou. Fui eu quem rasgou o vestido. Fui eu quem fugiu pela janela. Fui eu quem conduziu os cavalos em direção ao céu. Fui eu quem procurou. Você, Ou a morte. Meu peito não segurava mais os anseios de minha alma. E meu coração batia. Resoluto em sua direção. Mas eles me pararam. Lá em cima. No cume. Pegaram-me com a mão no seu rosto. Eu sabia. Eles não suportariam minha coragem, não é? Por isso, Não lutei. Dois pares de mãos agarraram meu braços, Arrastaram-me alguns metros, Até eu perder de vista o seu rosto. Não olhei para os lados Só para seus olhos. Fui levada para me...

... domingo ...

seguro a fotografia em minhas mãos... sentado no chão, eu me encostava sobre um tronco largo. você, deitada sobre minhas pernas, encarava, distraída, um livro estrangeiro... noto a luz do sol, fraca, ingênua, iluminando folhas caídas ao nosso redor. tínhamos apoiado a câmera em um galho. percebo meus olhos fechados, e minha mão presa em seus cabelos. lembro que você lia, em voz alta, passagens de um texto qualquer. transpirávamos cumplicidade. cheiro o papel na esperança de recuperar antigas sensações. eu não estava sorrindo, mas é evidente a minha alegria. era final de primavera... algumas cores desbotaram, assim como minhas lembranças. no verso em tinta preta apenas a data. (b. - 05/04/2010)