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Responsabilidade Individual

Ontem escutei a narração de uma amiga e passei o dia intrigada com o tema de sua história. Já faz tempo escuto sobre o assunto responsabilidade ambiental. Muitas empresas carregam nas assinaturas digitais de seus funcionários mensagens que induzem a reflexão sobre o papel (“é realmente necessário imprimir essa mensagem?”). Várias palestras são ministradas por grandes multinacionais para a demonstração dos investimentos efetuados na área ambiental: reciclagem, tratamento de água, reflorestamento. Muito bem. Tudo isso é imensamente importante, afinal nosso planeta grita socorro há anos. Agora, acho muito engraçado ninguém pensar sobre outro tipo de responsabilidade. Não sei bem seu nome, ela não está na moda. Mas, posso explicar: é aquela que mede a ação de nossas escolhas na vida daqueles que nos cercam. Não estou falando do menino que pede dinheiro no farol não, viu? Falo sobre nossos pais, nossos companheiros, nossos colegas de trabalho. Falo daqueles parceiros em potencial. Tra...

... anúncio de jornal ...

coloquei um anuncio no jornal saiu na edição de domingo... chovia ‘procuro alguém especial alegre, de sorriso largo, para compartilhar sonhos e encarar algumas desilusões... são indispensáveis, o senso de humor, uma personalidade inabalável. a paixão pela vida. preferencialmente, que saiba andar a cavalo, prefira os gatos aos cachorros e acima de tudo, goste de ficar na cama até tarde’ tudo que eu recebi e veio pelo correio foi a cobrança pela publicação... (b. - 05/02/2010)

... sento e observo ...

apenas sento e observo a delicadeza com a qual cuida das plantas na varanda a forma distraída com a qual remove a tinta velha das unhas a serenidade com a qual relaxa sob águas mornas. apenas sento e observo você. (b. - 26/02/2010)

O que sou

Eu queria tanto oferecer algo diferente disso. Mas eu não tenho tesouros Tenho só aquilo que sou E sou isso Um amontoado de sensações que transborda em uma folha de papel Alguém solitário que usa a companhia das palavras para dizer quem é Se você tirasse de mim as palavras Eu seria tão pouco Seria tão só. Então Mesmo querendo oferecer mais do que isso Algo que tivesse mais valor Eu não seria capaz Pois não tenho em mim nada além de emoção. E não sei expressá-las de outra forma que não aqui. De frente para você E sem medo do registro Porque sou em palavras Unicamente aquilo que sei ser. (Paulinha – 26/02/2010)

... preciso dormir ...

acordei pensando que, acordar pensando em acordar sozinho, sem você ao meu lado, dói... porem, ir dormir sentindo que, dormir sentindo o peito leve, por falta do seu peso... dói ainda mais... contra essa agonia encontrei apenas duas soluções: fique eternamente ao meu lado, ou permanecerei eternamente acordado! (b. - 18/02/2010)

Vai

Vai Trata de reunir logo todas as suas coisas e parte. Não prolonga mais nem um minuto essa cena. Pode levar o que quiser. Não pretendo morar mais nessa casa que nunca foi só minha. Vai Porque partirei também. Não quero nada daquilo que um dia foi nosso. Recolho amanhã apenas o que me lembro ser meu. Não quero viver mais nessa terra que nunca foi minha. Vai Começa você, porque não tenho forças para me levantar. Não adia o que não se pode mais negar. Você já disse tudo o que queria. E eu não tenho mais nada para dizer. Vai Eu nunca estive preparada e sei que você também não. Não espera por mim dessa vez. Carrega com você aquilo que quiser. Comigo só levarei a lembrança de quando nos conhecemos. Vai Antes que eu não consiga mais dizer adeus pra você. (Paulinha - 17/10/2010)

No Chão de Areia

Ele me encontrou de joelhos na praia Com as mãos fincadas na areia Levantei os olhos vermelhos em direção a seu rosto Os cabelos desgrenhados voavam o vento do mar. Gritei sua expulsão com toda a força da minha dor Ele não se moveu. Tirei os punhos fechados da areia e atirei em sua direção Ele não se moveu. Os soluços da minha alma sacudiam meu corpo E eu não tinha mais força para gritar Ele baixou o corpo em direção ao chão E começou a balbuciar algo sobre engano. Balancei a cabeça repetidas vezes Era minha negação ao sinal da sua voz Ele insistiu. Não ergui o rosto. Silêncio. A negação foi sucedida pela súplica Enchi as mãos de areia novamente Ele insistiu. E tocou meus cabelos Tremi. “Não, não me toque”. A súplica foi substituída por palavras de amor “Não, isso dói!”. Ele insistiu. Deixei minha cabeça tocar o chão Ele insistiu. Os soluços continuavam sacudindo meu corpo. Senti seu corpo cobrir o meu. E no ouvido a declaração: - Não sou mais capa...